"A oração é para o cristão o que são as asas para os pássaros, e sem ela não há voo espiritual", afirma bispo de Santa Cruz do Sul
Para uma boa vivência da Quaresma, Dom Sinésio Bohn, bispo de Santa Cruz do Sul (RS), pondera que é preciso fazer uma revisão da vida, um exame dos valores que nos inspiram e orientam. É o que consta de seu artigo "Voo Espiritual", no qual o prelado diz, ainda, que uma sociedade que se guia somente por interesses, e não por valores, é "presa fácil das paixões desenfreadas".
O bispo ressalta que aquele que segue Jesus Cristo, quem está inserido nele pelo Batismo, embora mergulhado nos assuntos da terra, tem o coração no céu, pois o Filho de Deus desceu do céu, assumindo a natureza humana, deu sua vida pela humanidade na cruz e ressuscitou, vencendo a morte e o pecado. "E quando o Senhor subiu aos céus, nós, inseridos nele, subimos também", afirma.
Recordando o apóstolo Lucas, Dom Sinésio afirma que quando o Senhor foi levado para o céu, "os discípulos o adoraram e voltaram a Jerusalém cheios de alegria". E isso se dá, segundo o prelado, porque a natureza humana, por Cristo, foi elevada a uma incomparável dignidade: Deus Pai uniu a natureza humana à sua própria natureza divina pelo Filho, verdadeiro homem e verdadeiro Deus. "Assim, somos salvos por graça, em Cristo Jesus", salienta.
Outro ponto apresentado por Dom Sinésio é que a tradição cristã une conversão pessoal para Deus com oração, estilo de vida e frugal e partilha de bens. Ele acredita que não existe vida de serviço a Deus e ao próximo sem oração. "A oração é para o cristão o que são as asas para os pássaros, e sem ela não há voo espiritual", observa.
Além da oração, o bispo de Santa Cruz do Sul aponta também a partilha como fundamental na vivência da quaresma e na construção de um mundo melhor. "Jesus colocou como um dos critérios de entrada no Reino o cuidado com os pobres, doentes e presos, sem sequer questionar as virtudes deles".
Ao final de seu texto, o purpurado faz duas admoestações: a primeira com Paulo, quando ele diz "Aspirai às coisas celestes, não ás terrestres; e a segunda com Santo Agostinho quando ele questiona "Porque razão nós também não trabalhamos aqui na terra de tal modo que, pela fé, esperança e caridade, que nos unem a nosso salvador, já descansemos com ele no céu"?
"O que o anjo falou a Cornélio, que possa dizer a nós hoje: Tuas orações e esmolas subiram à presença de Deus e foram levadas em conta", conclui.